Saiu a primeira edição do jornal do DCE!

Setembro 19, 2007

chegou a hora de amar desesperadamente
apaixonadamente
descontroladamente
chegou a hora de mudar o estilo
de mudar o vestido
chegou atrasada como um trem atrasado
mas que chega

“20 anos recolhidos” , de um poeta marginal chamado Chacal

Nove meses de gestão do Diretório Central da Unisantos, e não havíamos lançado nenhum material de comunicação público, em larga escala. Um grande equívoco que contornamos agora, à luz do belo poeminha do Chacal (c hegou atrasada como um trem atrasado / mas que chega). Foram nove meses de recolhimento, de discussões intramuros, de pequenas atividades e planejamentos bonitos, mas que morriam no mar e reapareciam, sempre, na beirada da praia.

Esta primeira edição, embora tenha sido muito pensada, foi feita um tanto às pressas. Por isso, é mais reflexiva do que noticiosa, e é mais analítica do que propositiva. Pensamos que, todos nós, estudantes, precisamos de subsídios para começar a pensar em ações que atinjam diretamente o centro dos problemas que atingem os estudantes e o povo oprimido de uma maneira geral. Por isso, na sequência do jornal, convocamos também um encontro que vai tirar toda a parte prática desta história.

Bom, no jornal, tratamos das ocupações que aconteceram nos últimos meses em dezenas de universidades do país; tratamos do ENADE (com o devido posicionamento: o boicote!); falamos da classe média, em um texto publicado pela Caros Amigos assinado pelo jornalista Carlos Azevedo (indevidamente não-creditado na edição que lançamos); falamos dos problemas da Unisantos; e da nossa pequena, parca e esforçada agenda de atividades. E, como não poderíamos deixar de fazer, publicamos também o poema “20 anos recolhidos”.

É um jornal pequeno, sugestivo, mas que esperamos que cumpra um papel importante e comece a jogar um pouco de luz na nossa agenda política, sempre colocada na penumbra pela universidade e por boa parte dos militantes do movimento estudantil, mais interessados em eleger candidatos a vereador, prefeito e para cargos na União Nacional dos Estudantes, do que ir à luta de fato.

Fica aqui o convite, também, pra debatermos o rumo desta publicação; o nome do jornal; e fica também o convite aberto para que qualquer pessoa escreva para ele. Nossa intenção é de que ele seja editado mensalmente. Neste mês de setembro, conseguimos rodar, com o dinheiro da arrecadação no período das matrículas, 4 mil exemplares. Agradecemos ao sindicato dos Bancários e ao Ronaldo, da empresa de comunicação Somatorium, pelo contato com a gráfica, e também a delicadeza de olhos azuis do entregador do jornal.

Você pode pegar essa primeira edição nas estantes de panfleto da Unisantos, nos balcões, encontrá-los nos murais ou pegar com os meninos e meninas que passarão em cada sala, se conseguirmos, divulgando o jornal.

Um abraço e
muita luta!


Poema

Dezembro 6, 2006

Eu quero ser aberto por punhais
e escavado no fundo dos meus ossos.
Quero abrir esta alma que me morde
como se abre uma noz, ver o que encontro.
Quero saber bem claro isto da vida:
que louco insaciável represento,
de que sede, que febre somos feitos.

Hector Yánover